Dinheiro e Solidão


Ela dirigiu às 6 da manhã, na estrada vazia e cinzenta rumo a lugar nenhum esperando encontrar o que não sabia estar procurando, com uma mão ao volante e a outra apoiada ao seu rosto preocupado, o cotovelo levementeposicionado na janela do automóvel, estava tensa.  Há meses era traída por sua “melhor amiga”, esta dormia com seu marido que passava noites e noites a “trabalhar” no escritório, mas nada que a afetasse tanto, tinha toda riqueza que queria, tudo que fosse de sua vontade era conquistado num único segundo como em um estalar de dedos, enquanto tivesse todo aquele império que a trouxesse tudo o que desejasse e a tornasse cada vez mais elegante e ressaltasse sua  beleza obsessiva estava feliz então. Repentinamente seu corpo angustiado sentiu enorme necessidade de álcool, a poucos metros dali avistou um velho bar, sem luxo, julgou, mas freqüentável. Além do mais, seriam apenas alguns copos e tudo aquilo se transformaria num verdadeiro  taj mahal.

Entrou, pediu um drink de Martine Branco “Não temos”, foi o que ela ouviu,”Uma dose de Tequila fará tudo melhorar”, disse ela. Inclinou-se no balcão para observar o ambiente, caminhoneiros,duas crianças, um bebê chorando, uma adolescente com uma mala grande , ninguém que estivesse a altura de seu elevado requinte. Na sua terceira dose, fazendo sombra na luz do sol que já brilhava forte  junto a porta, um casal de velhos bem  maltrapilhos, aproximaram-se e o senhor cumprimentou o balconista com um largo sorriso, tirou três moedas do bolso e pediu-lhe um único bolinho de sonho com uma pequena vela espetada em cima do creme e dois copos de agua, pois sua amada, a senhora que abraçava completava naquela manhã 68 anos, contentes pegaram seu pedido e sentaram-se a mesa perto de uma janela sem grandes. Depois ela observou daquela distância os lábios do senhor a recitar juras de amor seguidas de uma canção de parabéns. Ficou primeiro intrigada  e depois transtornada, “Como é possível tanta miséria e tanta felicidade?” para ela soava como dois assuntos opostos, “Não  poderiam ser felizes com tão pouco!” e aquela imagem por um instante foi a unica que admirou, sentiu uma calma e segurança em sua alma, pensou por alguns segundos e então,  Paz.

Ela dirigiu as 2 da tarde, na estrada movimentada e agora banhada pelo vermelho incomparável  do sol triunfante, tudo o que queria era chegar em casa. Fez as malas, jóias, dinheiro, os melhores sapatos, roupas e bolsas, tudo, escovou os longos cabelos dourados e no fim de tudo deixou um bilhetes sobre suas coisas dizendo:

Ela seguiu descalça de toda a amargura  pela estrada cinzenta da vida, esperando encontrar seu destino, seu futuro prospero, algo que a fizesse mais leve, que fizesse sua alma sobressaltar-se as coisas fúteis e finalmente sentir-se viva, respirando. Esperava que toda aquela riqueza e megalomania que a cercava fosse uma pagina virada , encontrar no simples “NADA”, o “TUDO” que nunca tivera  e finalmente estava LIVRE  para encontrar a si mesma.

Escrito por: Pâmela Aracy

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