CONSTELAÇÃO DE INVERNO


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Ele veio a mim de tal maneira que  tive que continuar girando para mantê-lo em minha visão. Andando em círculos o fez parecer mais claro, perto, movimento… Encantado em sonhos, disse ele, apenas sorri como resposta. Na noite em que vieram todos os  pensamentos e o despertar de dentro, o céu parecia maior, mais luzes e cores. Ele traçou estrelas com as pontas dos dedos para permanecer ali, como se o tempo talvez se fizesse paralisado e ele estivesse esperando por um acontecimento que falasse por ele, para ele, em vez disso, ele circulou em dizer o que nem de longe prendia  minha atenção, eu estava frágil destacando os detalhes em suas mãos, dedo, pele branca iluminada pela lua, sorriso e charme estonteantes, parecia que tudo fazia parte de algum tipo de  magia do cosmos, o Universo consumia sua essência e o tornava o mais belo dos seres. Demorou mais algumas órbitas de falar, sorrir, olhar, pensar e querer, desejar. De certa forma, ele era uma constelação em si mesmo, que se arqueou no meu céu, meu Orion. Ele puxou meu pulso até meus braços o tocarem e os dele formarem laço em minha  cintura, ele foi melhor visto em Janeiro, preferiu  respeitosamente desaparecer em junho até que eu me decidisse e levemente causou provocações entre novembro e dezembro. Ele me fez querer  virar minha cabeça em inclino para admira-lo durante todo o inverno e segui-lo. Fomos feito felicidade, conhecemos juntos os segredos de ser dois,  depois de duros meses, durante toda a vida terrestre até agora e sermos notados um pelo outro. O fluxo de sentimentos bombardearam meu peito aberto e confesso que cheguei a me sentir tonta.

Agora, ele é pegadas no chão de terra,  é ave e sente o vento no telhado levando até minha janela, um cobertor compartilhado, ombros nos ombros através de uma soleira, uma luz acesa no em velas, ele é risos, historias de criança e dois lábios encontro entre as linhas estrelares, eles brilham como lâmpadas de 60 watts e flutuam junto as  partículas frias da estação, entre a escuridão pré iluminada pela chama de cera. Eu abro meu coração para ele e rajadas de pequenas bailarinas brancas saltitam a rodopiar. Todo o mundo que nos cerca é magnífico e invisível. Ressoamos Orion…Orion em todas as alturas acima de nós, eu não posso mais ver as telhas brilhantes sob o emaranhado de linhas eléctricas-luar , o piscar de olhos, captura  pontos de brilhos no vento frio e o “nós”,  agora atados, empacotados em calor e frieza. Silenciosamente, o mundo respira a sua magnificência invisível. Silenciosamente, a beleza despercebida é humilde.

Eu só vejo aqui da minha altura. Eu só vejo seus olhos e quero sentir apenas os seus lábios trêmulos mais dentes batendo.

Por Pâmela Aracy

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