AMOR & OBJETO: em conflito…


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Não venha com sermão e balbucias, pois eu sou o que você criou, eu sou o que restou de suas ações “Hollywoodianas” e se apaixonar por mim não estava no script, não se importe comigo nem finja se interessar com o que é bom para mim. Não me diga o que fazer, eu não tenho vontade de olhar em seus olhos enquanto você me leva para o céu, não quero ouvir suas palavras românticas enquanto te comando e você gosta quando eu faço isso. Isso deveria funcionar como beneficio, satisfação, refugio. Ahh! poderíamos nos divertir tanto, tantas possibilidades, prazeres a explorar. Não tente me mudar, me concertar, pois eu gosto assim, tudo errado e você manifesta gostar de um jeito enorme também. O cigarro que eu fumo depois que termina é o menor  dos pecados que tenho cometido depois que você se apaixonou e estragou tudo. Tínhamos algo bom e você pôs a perder e agora tem nos dado dores de cabeça.

Droga, essa não é minha vida mesmo, essa alegria é emprestada, esse sorriso é postiço, essa mulher segura de si, confiante que faz acontecer, sou eu abatendo você antes que você me coloque no chão chorando, implorando por um pouco de amor, sem nenhum  por mim mesma. No meu rosto decorado com pó diluível, a maquiagem é à prova de decepção que em algum momento da minha vida me fez ser assim, especialmente pra quem vaga pela noite sem o retornável desejo de quebrar a cara ao me conhecer realmente como sou. E desse corpo que ofereci pra ser seu, também não sou mais dona, agora é quase de quem quiser.

 Ninguém é tão bonzinho e ingênuo o quanto aparenta ser. Ninguém. Faça alguma coisa ruim, qualquer coisa que me impeça imediatamente de sentir essa pena absurda de você. Costumávamos ser maus juntos, não se lembra? Muito maus, bons no que fazíamos, você tinha certa maldade nos sentidos, leves e sutis pontos que eu queria alcançar, provocava-os e ganhava. Estou nas suas mãos e isso não é uma metáfora, você me prende com essa singelez, instinto de conto de fadas, agir como um príncipe no seculo em que estamos é uma tática perigosa, meu bem, você não existe, não pode existir. Eu não confio em você e a cada gesto lindo eu quero enforcar você com sua gravata listrada, quero despertar alguma revolta ruim, algum sinal que aquele homem ainda esta aí. Mude, esvazie-se desse sentimento, você tem que agir. Porque eu já não sei mais nada.

Me Puxe pelo quadril, me aperte contra você, lambe, morda meu queixo, arranque, bagunce meus cabelos. Esfregue suas mãos em minhas costas ..me encaixe contra o peito,  toque minha espinha, aperte minha nuca, segure as minhas mãos, algeme – as ao seu bel-prazer, respire, sussurre perto da minha têmpora, me deixe arrepiada e tremula,  me faça querer controlar o ar, uma ou duas vezes antes de me perder e disparar. Não sou uma donzela intocada, não sou insanamente impura. Sou uma mulher que em cada poro, cada extensão da epiderme implora por você em mim segundos depois que suas mãos me abandonam. Deguste meus segredos, saboreie meus cheiros, faça meus gostos, beije cada uma de minhas cores, viva o fogo que arde em meus olhos.

Ninguém vai te salvar enquanto o mal e a cura contiverem apegados no mesmo frasco, eu não sou boa, você não me terá para sempre, não me verá vestindo avental a menos que seja para tirá-lo com os dentes cinco segundos depois de coloca-lo, não quero um relacionamento, não quero ser protegida, sei me virar sozinha, quero a sua presença com um único objetivo e nunca te iludi quanto a isso. Entre comigo ou deixe-me ir, quero você renascendo, rasgando ruídos a cada grito de ardência. Eu te proíbo de me amar mais do que o quanto eu te quero, de dizer que me ama, de ser meu chão, de pensar em mim, de me oferecer mais.

A culpa por eu não estar amando alguém, e feliz por alguém, é unicamente sua. Eu te avisei que estava pisando em solo instável, que iria se machucar, eu fui inteiramente honesta quando disse que não era boa para você, que deveria querer mais do que alguém como eu. Minha vida é fria como inverno e me faço verão somente quando me encontro no calor que encontro nos homens. Você vai para cama com a guerreira em chamas e acorda ao amanhecer com a Rainha de gelo, trancafiada em uma caixa em forma de coração cravejada de cascalhos petrificados à mil graus abaixo de zero.

Seja um pouco pior do que eu, ou deixe-me ir, isso está me matando, ver você assim, não irei parar até esgotar suas energias, sua vontade de viver. Porque quebro coisas e pessoas é isso que faço. Quando começo não posso parar, eu quero ter você até perder o folego e não darei nada mais por isso. Não se importe tanto comigo, eu vou causar decepções a você, dor e exaustão, me deixe, importe-se com você, com sua dignidade, masculinidade. Não sei o que anda mais difícil: ser eu, ou nós.

Pela última vez: Sou eu a pessoa quem você tanto não procura.

EU AMO VOCÊ MAS REJEITO A IDEIA DE SER “NÓS”.

 

 

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