O Monstro no Espelho


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Estava acorrentado e sozinho na escuridão fria daquele porão. Não sabia o que fazia ali e nem o que o mantinha preso; ninguém o queria ou não o conhecia. Por muito tempo esteve ali, sempre obediente e concordando com os seus juízes ou meros julgadores, que da verdade nada sabiam. Não tinha ninguém à sua volta que pudesse mudar o veredito, porém não precisava de outro alguém e sim de acreditar em sua própria mente perturbada pela beleza, que o havia abandonado e o deixado ser preso pela ordem dos donos da verdade, que não o queriam por perto de seus belos rostos. E acreditando que a beleza estava certa, ele foi para o porão e assim ficou por muitos e muitos anos. Mas agora percebeu que o veredito pode estar errado e o julgamento pode vir a cair por terra, pois não podiam fazer o que fizeram só por suas ideias que não tinham sentido.

Os juízes podiam estar certos sobre ele, porém não tinham o direito de tirar a liberdade dele. Tudo o que queria agora era poder viver sua própria vida e seguir seu caminho sem se preocupar com os juízes. Não queria saber o que refletia e sim o que o preenchia e o que sua alma tinha. Não era igual aos outros e sabia que nunca seria, mas viver ele podia. Então decidiu escapar e com toda a sua força tentou tirar as correntes que prendiam seus braços na parede.

Nesse momento, percebeu que as correntes não estavam mais em seus braços e que sempre esteve livre para sair dali a qualquer momento, só que nunca tentou e simplesmente se submeteu às verdades dos juízes. Antes mesmo de tentar procurar a saída, uma luz se acendeu e viu que o local onde estava preso era todo branco e no meio havia um espelho que refletia o monstro e , de repente, uma fúria natural de seu ser o fez correr de encontro com o espelho até colidir com o seu reflexo e atravessar o objeto fixo no ar, deixando-o em mil pedaços. Quando abriu os olhos não estava mais no porão e reconheceu o local, estava de volta à sua antiga e agora nova vida; estava de volta ao seu lar doce lar, do qual nunca saíra. O espelho estilhaçado sumia aos poucos de sua mente, pois agora não importava mais o reflexo e sim seu bem estar. Ele era o monstro e continua sendo, porém ele não é um adjetivo e sim um ser que vive para tentar fazer alguma diferença nesse mundo onde tudo é igual.

A FELICIDADE está naquele que vive com todos à sua volta e não naquele que vive para julgar a vida de todos à sua volta.

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