“Como Eu Espero”


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O chão é macio, quase dá pra sentir-se parte do solo, é agradável..parecido com grama, grama fofa e vivida. Há fogueiras, fogueiras de chamas reluzentes azuis, brancas e lilás, o som, ha! esse som a música está em toda parte..é sutil, mas, posso senti-la no arrepiar da epiderme. Há gente, gente que dança e dançam ao redor de todos e ao redor da música, tocam tambores, chocalhos, violinos e trompas..eles vibram em ecos na escuridão em movimento ao som do estalar das fogueiras e seus combustíveis amadeirados. Em algum lugar a escuridão vai se desvairado, sinto que falta algo na memória, imagens ocultas levitam diante de meus olhos, sinto o cheiro..cheiro de noites perfumadas de palha e orvalho.. de terra molhada e aroma de cozinha de fazenda, de me sentar em uma varanda e ir até o nascer do sol, bolo de festa, aqueles a quem chamo de meus filhos. Essa sou eu? Como cheguei aqui? Agora vejo luzes na distância do manto escuro da noite, velas e lanternas,  o cavaleiro branco se aproxima, detém o arbusto do azevinho e ao apontar para a imensidão daquele vale diz: Eu sou o arrebatador das almas noturnas! Dessa-te daí, apanhe seus pés na ponte da vida eterna, filha minha. Então coloco meus pés sobre a ponte que atravessa o rio que vai para o mar, dou-lhe as mãos e digo: Salva-me também, ajuda-me lembrar quem sou e porquê vim, permita-me ir contigo. Ele assentiu com senho terno. O vento agora está cheio de milhares de vozes que passam pela ponte e eu, algumas delas me chamam por um nome que parece ser o meu seguidos de “seja bem vinda”, familiares, algumas delas tocam fundo no peito, como se sentisse saudades sem mesmo conhecer, por que não me lembro? Ele desce do majestoso animal branco de pelo reluzente, passa puxa-lo pelas redias e segue à pé guiando-me jardim a dentro e sorrio olhando o por do sol mais brilhante que jamais conheci, Ele sorri e diz. “Bem Vinda ao Lar”. As memórias não me confundem mais, eu vim para ficar, sonhei, cumpri meu papel e aqui habito rumo a felicidade eterna, a paz da cura de minha confusão humana. Toda dor se cura, toda dor se esquece. Vou para ficar com os meus e aos outros rogo minhas preces até que juntos nossos sonhos se encontrem outra vez.

Adeus. A Paz!
11/05/2016



Pâmela Aracy

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