CEIFA ANUAL / ANNUAL HARVEST


>>English Version Available Here!<<

It’s Haloween!

Ceifa Anual.png

Camila estava deitada de barriga para baixo enquanto via as notícias na TV. Ela considerou seu dever de manter-se informada dos acontecimentos atuais, dado os rumores de atentados homicidas em sua cidade. Mesmo sabendo sobre a censura do telejornal e a mídia em massa, continuou acompanhando o noticiário, na esperança de se conectar com o tipo de mente criminosa que costumava agir com tamanha frieza de psicopatia, estrangulamentos em série, sem nenhuma explicação ou ligação entre as vitimas – “As pessoas nem sequer sabem a verdadeira natureza do inimigo” – pensou. Ela não sabia de tudo, mas, estava ciente das muitas coisas secretas e todas os relatos do que acontecia a noite, no fundo ela  aprendeu muito mais que em qualquer outra coisa. Agora se trancava em casa a sete chaves e uma faca de pão descansava embaixo da almofada ao seu lado. Definitivamente, ver as desgraças na televisão era um passatempo mais apreciado que seu professor e suas aulas chatas de Contabilidade Avançada na Universidade.

Eventualmente ouviu uma batida na porta, com a impressão de que não era a primeira vez. Camila olhou pela janela e viu apenas chuva, com flashes ocasionais de raios. “Quem, está lá fora batendo, com esse tempo?” – se perguntou. Ela encolheu os ombros levemente, cobriu-se com uma toalha e foi até a porta. Abrindo-a exatamente após o terceiro toque do inconveniente visitante.

Para sua surpresa, não havia ninguém atrás da porta. Cami olhou para o céu novamente, em seguida, baixou os olhos para a soleira. Havia uma estranha aparência sombria, em meio à chuva, esticou o braço direito e fechou os dedos junto à palma da mão, na tentativa de alcançar, capturou o ar – “Hunf…. cadê meus óculos??.. Cami sua míope dos infernos, deve estar enxergando o reflexo da luz da varanda” – Sem muita demora, trancou a porta novamente e voltou para a sala. Limpou os óculos que estavam no sofá, os colocou em seu rosto e resolveu estudar para a prova de sexta-feira, mas decidiu que a TV devia ficar ligada, para o caso de sentir sono, saberia que teria que desligar antes – um segundo depois, recebeu notificação em seu celular – Mensagem de Lucas, de quem ela constantemente tem se recusado se encontrar, como podia, não era nada de mais, nada muito grandioso, apenas, um termino sem sentido de um relacionamento que não deveria ter começado, o rapaz costuma ser distante em algumas horas e extremamente possessivo ao mesmo tempo. Entre outros empecilhos como ambos estudavam na mesma sala de aula e tudo mais – “Lucas, para de me mandar mensagens ou vou te bloquear, eu já disse que quero um tempo” – escreveu para o rapaz. Novamente o celular tocou e ao visualizar, viu no reflexo da tela novamente a silhueta humana atrás de si. Desta vez podia ver claramente no rosto um sorriso totalmente maníaco. De pressa, jogou o celular, levantou-se do sofá e em um pulo olhou para trás. NADA.

Mais que rapidamente, enviou outra mensagem para Lucas – “ Mudei de ideia, estou sozinha, preciso de você. Vem pra cá, precisamos conversar”. – Na tentativa de que talvez  ter mais uma discussão com Lucas, pudesse  afugentar suas paranoias.

“Droga, responda logo” – pensou. “OK” – Lucas respondeu e Cami, respirou aliviada, mesmo não gostando muito da idéia de rever seu ex namorado em sua casa. Sussurros em seu ouvido: “Cara legal” – UAhh MERDA!!! Quem está aí??!! Saltou para a almofada e  estendeu o braço com a faca serrilhada curva. Ouviu atrás da porta do banheiro alguém rindo, uma sincera e perturbadora risada psicótica completa: “Morraaaa” – Uma voz baixa e maligna.

Ao escutar com tamanha realidade, Cami imediatamente correu para a rua e em algum lugar no meio da estrada , bateu em algo transparente, não pode ver de onde veio o baque, foi golpeada e caiu no chão. Um soco com muita fúria no peito que deu lugar a um choque completo e esmagou seu ar. “Que inferno. Mas, o que está acontecendo comigo???” – Correu para dentro de casa, em busca de seu celular, não acreditava que algo tão sobrenatural pudesse acontecer. Com certeza estava sob efeito de tanta coisa ruim que assistira na ultima hora nos noticiários.

Pegou o celular, caminhou até o banheiro – “ Aff… ninguém, haa que loucura” – Conferiu também o quarto e a cozinha. NADA – “Quem bom, não tem um assassino em minha casa!!! Isso daria um belo roteiro para o noticiário local (riso)”. Secando seu cabelo com uma toalha, novamente sentou-se em frente a TV, agora com a faca ao seu lado, só para garantir. No mesmo minuto, os canais começaram a oscilar e o aparelho desligou. “ Algo está errado aqui.” – pensou ela. Ela balançou a cabeça e ligou novamente. Desta vez, sem sinal. Desligou a TV e foi para a varanda. Suas pernas estavam tremulas os olhos espantados, não era algo que soubesse lidar, não tinha ideia do que fazer, nem como enfrentar o medo que sentia.

Lucas morava cerca de dezoito quarteirões de distância e já era hora de chegar. Ou Cami teria um colapso nervoso. A essa altura, lagrimas infantis molhavam seu rosto e o suor em sua nuca ensopava o cabelo ainda mais que a própria chuva.

Na esquina de sua rua, avistou o carro de Lucas, respirou fundo – “Aí vem ele”. Correu até o portão, recebeu-o com um sorriso  – “Que bom que veio, estou morrendo de me…”. – Não teve a chance de terminar. Avistou atrás de Lucas, a silhueta sombria, com chapéu que parecia cobrir um rosto horrível, o que não dizia o contrario era o efeito de seus olhos vermelhos sob a noite. Com a faca de serra, dilacerou a garganta de Lucas, deixando-o a poucos segundos da morte – “Venha minha criança, me alimentarei de seu sangue até o fim desta noite e ao amanhecer, sua alma será minha” – Disse ele, após desfalecer o rapaz no chão. Esfregou nas mãos o sangue, se deliciando da dupla punição dos amantes infelizes.

Lucas carregava nas mãos um cabo de embreagem que usaria para sufocar Cami, após o termino do relacionamento, ela seria só mais uma que ele gostaria de ver morrer lhe faltando o ar, como tantos outros homicídios que cometera na cidade. O cabo ensanguentado, era usado para estrangular suas vitimas até a morte, então os deixava caídos em suas casas, escrevia frases nas paredes, frases de adoração a um demônio que segundo as lendas urbanas, se alimenta de sangue e trás prosperidade a seus adoradores. Era um lado tão sombrio de Lucas, que sabia esconder muito bem, mas, naquela noite se revelaria para Cami, sua única vitima que já o conhecera um dia.

“Uma jovem alma, cujo sangue tão perverso me interessou sentir o sabor, o sabor da devoção sombria por seu senhor” – Seus olhos se estreitaram para Cami e com uma voz sagaz disse-lhe: “Eu realmente bati na porta errada, minha jovem, vim por ele e ainda esta noite tenho que olhar para outros rebanhos”. Sua mão apertou a de Camila, entregando a faca sangrenta que a cortou involuntariamente nos dedos.

A massa de carne que descansava no chão, fez Cami paralisar, nem se quer deu tempo de ouvir a voz de Lucas, já com a pele profundamente acinzentada nunca mais retornaria  à sua existência. Camila estava impossibilitada de gritar ou correr. Não foi capaz nem mesmo de pensar direito naquele momento.  Seus pensamentos estavam confusos, e os olhos voltados apenas ao que poderia ter acontecido naquele ali – “se tiver sorte, isso tudo se trata de um pesadelo” – ela hipotetizou confusa.

“É quase novembro, tenho que tomar meu caminho. Mas, a ultima noite de outubro é minha, acostume-se com a chuva, bebê. Há sim, bem em tempo… Hmm, lave bem esta lamina serrilhada, minha criança. Não queremos que a policia desconfie de você, este aqui vem comigo. Alias, belo carro garotão!” – Disse o espírito sombrio se referindo a arma usada para degolar o rapaz. Colocou o corpo em seu obro, deu dois “tapinhas” no traseiro, colocou no carro e dirigiu, desaparecendo no fim da rua. Ao som mórbido do motor do Opala 64 da cor preta, todo customizado pelo jovem.

Camila, ficou parada por um longo tempo, enquanto a chuva caia violentamente, encharcando – a por inteiro. Um raio atingiu uma arvore da rua e Cami acordou em sua cama, ensopada de suor. – “Cara, não acredito…que pesadelo horrível”. Pegou o celular e foi ao banheiro e lavar seu rosto. No celular, uma surpresa, era primeiro de novembro e sua conversa com Lucas realmente aconteceu na noite anterior. Levantou os olhos e no teto escrito com sangue: “ Eu não erro por imprevisto, quando voltar, será por você. Até o ano que vem, minha criança”!

Cami tapou os ouvidos ao ouvir dentro de si, dentro de seu peito, o som afiado da gargalhada perturbadora que ficou marcada em seu ser.

ass5.png

 Annual Harvest.png

Camila was lying face down while watching the news on TV. She considered her duty to remain informed of current events, due to the rumors of homicidal attacks in her city. Even knowing about the television news censorship and mass media, she continued watching the news hoping to connect with the kind of criminal mastermind who used to act with such coldness and psychopathy. Many strangling cases without any explanation or link between the victims. People don’t even know the true nature of the enemy, she thought.

She didn’t know everything, but she was aware of the many secret things and all the accounts of what happened the night, deep down she learned much more than anything else. Now she locked himself at home under lock and key with a bread knife resting under the pillow beside her. Definitely see the disasters on television was a more likely hobby than see her teacher giving his boring Advanced Accounting classes at the university.

Eventually she heard a knock on the door with the impression that it was not the first time. Camila looked out the window and saw only the rain with occasional flashes of lightning. Who is out there beating in the middle of the rain?, she wondered. She shrugged slightly, covered herself with a towel and went to the door, opening it just after the third knock from inconvenient visitor. To her surprise, there was no one behind the door.

Cami looked at the sky again, then looked down at the doorway. There was a strange dark silhouette, she stretched her right arm through the rain and closed her fingers with the palm in trying to reach something, but there was only air. Hunf … Where’s my glasses ?? Myopic Cami! Should be seeing the reflection of the porch light, she quarreled with herself in her mind.

Before long, she locked the door again and returned to the living room. She wiped her glasses that were on the couch, put them on her face and decided to study for the Friday test, but decided that the TV should keep turned on, in case she feel sleepy, she’d know it would have to turn off before bed.

One second later, she received a notification on her phone, it was a message from Lucas, whom she has constantly refused to meet, it wasn’t a big deal, just a broke up of a no sense relationship that should not have started. The boy often away in a few hours and extremely possessive at the same time. Among other obstacles, as they both studied in the same class and after everything that happened, she wrote to the guy: “Lucas, stop sending me messages or I’ll block you, I said I need a break”.

Again the phone rang and she saw the message, but then she saw in the screen reflection a human silhouette behind her. This time could clearly see in the face a totally manic smile. Quickly threw the phone, got up from the couch and looked back. NOTHING.

Quickly, she grabbed the phone and texted to Lucas, “I changed my mind, I’m alone and I need ya. Come here, we need to talk. “, in an attempt to perhaps have another fight with Lucas, at least it would make she forget the fear and paranoia.

Damn, answer soon,she thought.

“OK” – Lucas answered and Cami breathed relieved, even not really enjoying the idea to review her ex boyfriend. Then something whispered in her ear: “Cool guy!”

– Ahh… SHIT!!! Who’s there??!! – she yelled at the same time that she jumped into the pillow and reached out with the serrated curve knife.

She heard behind the bathroom door someone laughing and a disturbing psychotic laughter stated:

– Dieee! – whispered a low and diabolic voice.

When listening with such reality, Cami immediately ran into the street and somewhere in the middle of the road, she hit something transparent, she couldn’t see where it came the thud, she was punched and fell to the ground. A punch with a lot of anger in the chest that led to a complete shock and crushed her air. What the hell! But what’s happening to me? What … she was trying to rationalize the facts and ran into the house, searching for her phone, she didn’t believe that something so supernatural could happen. Certainly she was overreacting due the bad things that she’s seen on tv.

She picked up the phone and walked to the bathroom. Aff … anyone. Ah! What madness, she thought aloud and also checked the room and the kitchen. NOTHING. Who good, it doesn’t have a murderer in my house !!! This would make a beautiful script for local news, she laughed, drying her hair with a towel. Again she sat in front of TV, now with the knife at her side, just in case. In the same minute, the channel began to lost the signal and then TV was turned off. Something is wrong here, she thought. She shook her head and tried to turn on. This time, no signal. She turned off the TV and went to the balcony. Her legs were trembling and astonished eyes, she didn’t know deal with it, she had no idea what to do or how to face her fear.

Lucas lived about eighteen blocks away and it was about time arrive or Cami would have a nervous breakdown. At this point, tears were wetting her face and sweat on her neck soaked her hair even more than the rain itself.

At the corner of her street, she saw Lucas’ car, took a deep breath, here he comes! She ran to the gate, greeted him with a smile:

– Glad you came, I’m scared to d… – She didn’t have a chance to finish.

She spotted behind Lucas, the dark silhouette with hat that seemed to cover a horrible face and shiny red eyes in the night. With serrated knife, he tore Luke’s throat, leaving him just seconds away from death.

– Come my child, you shall feed me with your blood until the end of the night and in the morning, your soul will be mine – said the creature after killing the guy on the floor. It rubbed its hands with the blood, delighting with the double punishment of the unfortunate lovers.

Lucas was carrying in his hands a clutch cable that he would use to stifle Cami after she broke up with him, she would be the next victim that he would like to see dying gasping the air, like the others homicides he committed in the town. The bloodied cable was used to strangle his victims to death. After killing he used to write phrases on the walls, worship phrases to a demon, which according to urban legends, that fed on blood and brought prosperity to their worshipers. It was such a dark side of Lucas, who he knew hide well, but that night his identity was revealed to Cami, his only potencial victim that ever met his true inner darkness. But in that moment, he wasn’t a threat to Cami anymore, Lucas was dead by the creepy creature in front of her.

– A young soul whose blood so perverse made me feel the desire to taste of it, the taste of dark devotion to his master, it smells so delicious, I’m starving for his blood – His eyes narrowed to Cami and in a sagacious voice said to her. – I actually knocked on the wrong door, young lady, I came for him and tonight yet I have to look to other herds. – His hand tightened Camilla’s hand, handing the bloody knife that involuntarily cut her fingers.

The mass of flesh that rested on the floor, it did Cami paralyze, not even had time to hear Luke’s voice, already with deep grayish skin, he would never return to his existence. Camila was unable to scream or run. She wasn’t able even to think in that moment. Her thoughts were confused and her eyes turned only to what might have happened there. If I’m lucky, that’s all a nightmare, she thought confused.

– It’s almost November, I have to go now, but the last October night is mine. Get used to the rain, baby! Hell yeah, right on time… Hmm, wash this serrated knife, my child. – Said the dark spirit referring to the weapon used to behead her ex boyfriend. – We don’t want the police suspicious of you, this buddy comes with me. By the way, beautiful car big boy! – The creature put up the dead body in its shoulders and patted two times on the Lucas’ ass, put the body in the backseat and drove away, disappearing down the street. The morbid engine sound from black Opala 64, customized by the young dead, echoed seconds after car disappear.

Camila stood for a long time while the rain fell violently, soaking her completely. Lightning struck a tree at her street and Cami woke up in his bed, soaked in sweat. Dude, don’t believe it … I had a horrible nightmare, she thought breathlessly. She picked up the phone and went to the bathroom to wash her face. In the phone, a surprise, it was November 1 and her conversation with Lucas really happened the night before. She looked up and in the ceiling was written in blood: “I do not make mistakes unexpected when I return, it will be for you. See ya next year, my child! “

Camila covered his ears when she heard within herself, within his chest, the sharp sound of disturbing laugh that was marked in her being.

ass5.png31/10/2016 às 10:34

Advertisements

3 thoughts on “CEIFA ANUAL / ANNUAL HARVEST

    1. Esse post de Halloween ficou sensacional, né? Esse texto na verdade não é meu e sim da Pâmela Aracy, que é a co-fundadora do blog, ela tem uma mente boa para histórias! Ficou demais, eu amei esse post de Halloween que ela escreveu… Ceifa Anual, minha história de terror favorita… ela está pensando em uma continuação, estou torcendo e ansioso para saber o que poderá ocorrer nessa possível segunda parte. :):o

      Liked by 1 person

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s