Noites de Novembro / November Nights


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Em uma casa suja e triste junto ao mar, ela deixou a água correndo por um longo tempo, rolando pelo seu rosto, ensopando o cabelo, deslizando cada poro lentamente em sua pele. Ela ficou ali por duas horas ou mais, como se isso pudesse apagar tudo. Manteve os velhos fantasmas, pesadelos e alucinações dançando no escuro. O som da água caindo, encobriu os gritos e afogou suas lágrimas e a envolvia num aconchegante casulo de nevoa quente. Não era algo como submergir-se e embriagar suas frustrações, mas, para ela era quase como afogar-se, de uma forma ou de outra.

Ela nunca soube muito bem o quanto se afogou, deixou-se afundar, foi para ela como prisão perpétua condenada em seus pensamentos mais íntimos, equilibrando-se sobre um único fio. Como uma dança na corda bamba acima da água, sorrindo, sabendo que ia acabar morrendo no próprio abismo de seus olhos.

Quando toda a água quente, eventualmente, secou, ela saiu do chuveiro, lentamente de olhos fechados, silenciosamente, sem ouvir som algum na casa. O ar estava saturado, pesado e úmido, mas, não se importou, ela estava fria e os fantasmas ainda martelavam na porta, balançando as paredes e tremendo o chão. Lá fora o céu era muito escuro e sinuoso, nem se quer dava para ver as estrelas. Visivelmente e violentamente abalada, trançou seus longos cabelos, ainda com os olhos fechados, tudo estava embaçado, cinza e sombrio. Apenas a água que escorria de seu corpo ainda nu era clara, pura e transparente.

Não tinha ideia de quanto tempo gastou no chuveiro, lutou como podia contra o nada sadio impulso de afastar-se de tudo e todos depois do que  aconteceu. Ela era uma pessoa do dia que se tornara noite e a mesma  noite tomou a tormenta para si, amava a chuva, pois, o som de cada tempestade acalmava apaixonadamente a enchente de sua alma, como a sensação de uma criança que salta com ambos os pés nas poças d’água, enquanto uma mãe lança uma repreensão e ao mesmo tempo a criança continua sorrindo a saltar por todos os lugares molhando os sapatos novos. Ela amou a chuva, porque apagava tudo, até mesmo os pecados em suas mãos. E dançava entre as poças, sentindo fluir o sangue em suas veias, enquanto era diluída pelas lágrimas do céu. Este mesmo céu retumbou em relâmpagos encobrindo os gritos e o som da consciência a cair no chão.  O céu afogava suas lágrimas até cair no sono ao amanhecer, cabelo encharcado e lábios azulados, a pele acinzentada, dolorosamente hipotérmica, com memórias mortas no coração.

Mas, naquela noite o céu não se importou e não carregou sua cura, ela se apaziguou com o banho quente na velha casa, o teto parecia estar desmoronando sobre sua cabeça, medo da loucura era o sentimento predominante,  todo aquele arrependimento. Ela correu para o sofá e      esmagou-se aninhada sob almofadas empoeiradas. Através do pequeno – e sujo – vitral da sala, em um  barraco miserável, o céu era visível e a lua escondia-se atrás das nuvens que restaram do entardecer. Ela estava sendo consumida pedaço por pedaço, com  todos os seus segredos enterrados na pele, tentando acalmar a euforia fechou os olhos, estava hiper-ventilando, transpirando mesmo após horas embaixo d’água. Ao concentrar-se bem, ela podia ouvir o murmúrio distante do mar. Quando uma chamada indistinta, uma voz oca  fez seu coração bater um pouco mais forte que fez dela um pouco menos morta.

— Você não fala mais? – sorriu para ela sarcástico – Contentando-se com o pouco – Olhou em volta, fingindo-se surpreso – Esse lugar não se parece nada com você.

Deslizando ao redor do sofá que ela repousava, chutou a bolsa de remédios no chão.

 — O que posso dizer? Acho que já vi você por muito tempo em muitos lugares, mais do que qualquer um suportaria – olhou para ele fixamente enquanto  ele ria – E você…você ainda ri. Droga, eu devo estar muito chapada.

 Ele deu de ombros e olhou para o céu através do vitral e voltou-se para ela novamente.

— Eu sonhava com suas mãos,  boca  e seus olhos, seus olhos são rochas negras enormes mergulhados em amargo abismo. Um poço sem fundo que eu não ousava tentar corrigir por medo de te perder. Você era linda, linda como o mar sob o sol pálido de novembro e perigoso como a sua raiva, suas tempestades que faziam perder marinheiros e navios, que terminam com seus corpos agredidos contra as falésias. Você sabia que era linda. – Disse ele, cruzando as mãos atrás das costas.

—  Não me lembro de você ser tão poeta apaixonado. Onde está querendo chegar? Só me deixe em paz – disse ela, apoiando o braço sobre os olhos e ainda deitada no velho sofá.

Ele saiu de sua posição, fazendo gesto de discurso levantando o dedo indicador, fazendo- o flutuar em meio às palavras que saiam de sua boca.

— O que quero dizer é que você é terrivelmente bonita. As pessoas devem ter dito isso a você tantas vezes quanto não poderia contar.  Foram seus olhos, incessantes e às vezes os homens se aproveitavam de você com seus desejos sexualmente imorais.  Porque você é bonita, e infelizmente pertencia a todos. Todo mundo poderia apropriar-se de seu olhar. E tudo o que eu queria era ironicamente me apoderar desse olhar também, te amando…amava loucamente, terrivelmente, sujeitando-me a viver uma vida que eu não tinha só para te agradar.

—  JÁ CHEGA ! – ela gritou.

 Percorreu a sala imunda já com a porta entreaberta e saiu da casa as pressas, correndo em direção ao mar. Passou horas na praia, correndo na areia, sob nuvens escuras, seus pés estavam envolvidos de folhas mortas que rodavam de volta das ondas e no céu, o voo dos pássaros no vento noturno.  A noite estava passando na tristeza de suas paranoias.

 Foi um incêndio, um simples incêndio. Ele morreu no incêndio, não foi sua culpa, houve um incêndio. Foi um incêndio, um simples incêndio. Ele morreu no incêndio… – repetia para si mesma.

E ela olhou para o vazio, silencioso. O silêncio, o silêncio  terrível que ainda ecoava morte.

 Ah vamos lá! Corra mais um pouco, quem sabe assim você deixa para trás a verdade que não quer ver. As drogas que usamos, ela esmaga as portas, fecha as janelas e tudo o que conseguimos ouvir são crianças gritando, as crianças assassinadas. Ela nos faz agir feito monstros, te fez ficar atolada em sangue, dúvidas e pesadelos. –  Disse ele, sujo, a pele tomada de queimaduras por todo o corpo .

— E você, por que ainda está aqui? Pare de me perseguir!  Entre no portal aberto, escadas da luz ou seja o que for, SIGA A DROGA DA LUZ!!!! Isso foi um acidente – gritou angustiada. Ajoelhou-se na areia, diante da figura do rapaz.

   Talvez não tenha sido. Disse ele.

 Segurando o rosto dela com mãos geladas, como se quisesse carregá-la para longe, a fez reviver aquela noite dentro de sua mente já perturbada, a primeira noite que finalmente ficariam juntos de fato. Ela não era de explicar, não sabia se explicar, ele gostava de seguir os passos dela, por onde fosse. Afinal, estavam há uma vida juntos, mas, a garota tinha maus hábitos e adorava piorar sua conduta se drogando muito fazendo consumo excessivo de álcool e barbitúricos. Ele se admirava que naquele ponto da amizade, ela não tivesse o abandonado, um “caretão” como ele, tinha medo de tudo e de todos, era responsável extremista, mas, disposto a pular de um precipício para ser notado por ela.

 Eles dançaram ao som eletrônico das boates, ela tinha muito dinheiro e tinha o mundo a seus pés, ambos estudantes de medicina,  teriam gostado no fundo, ela gostava de ter ele à disposição também, pois, sua maior diversão era vê-lo quebrar paradigmas, só porque ela dizia que era o que ela queria que fizesse. Naquela noite, eles tinham dançado e bebido muito, tinham feito loucuras quase que na mesma proporção. Então ele se despediu da lua, resolvendo experimentar algo ainda mais perigoso com ela. Por amor, por sexo ou pura irresponsabilidade súbita esqueceu seus princípios e após realizar o sonho de estar com ela corpo a corpo, tomou seu ultimo e desesperado fôlego após uma parada cardiorrespiratória por dose elevada de comprimidos benzodiazepínicos combinadas com álcool, tornando-se um prisioneiro de seu próprio destino.

Ela sabia que um dia ainda iria se amaldiçoar com toda aquela liberdade. A poça de vômito ao lado da cama, empastada de sangue era mais uma prova que algo estava totalmente fora da realidade. Acordou com o a queimadura do cigarro que se consumira em sua mão após cair no sono. Iniciando um incêndio bem ao seu lado, tentou acordar seu amigo, mas, este já não respirava mais. O fogo se alastrou rápido e quando tudo estava tomado em chamas, não havia mais nada a se fazer, ela o viu queimar. Deixou o local sabendo que jamais superaria aquela noite.

 Foi um incêndio, foi um incêndio, simples e burro…incêndio. Você morreu em um MALDITO INCÊNDIO – gritou ela segurando as mãos dele tentando        libertá-las de seu rosto aos prantos.

— A água salgada irá suavizar sua culpa, sua mancha preta na alma, e essa cicatriz na sua mão. – Então ele apontou para o mar violento da madrugada.

— Esta cicatriz, que se recusou a desaparecer. Você me deixou sozinha, eu fui pra cama chapada com meu melhor amigo e quando acordei você tinha morrido. Isso me faz querer chorar pelo resto da vida, não sei fazer mais nada, além de viver essa vida miserável que herdei depois de você. Toda vez que coloco os olhos sobre esta marca na mão, é como se levasse um soco no estômago. Esta cicatriz é a própria imagem da besteira que fiz, eu adormeci e você morreu sozinho. – Disse ela desabando em lagrimas de desespero, sentada na areia, com os pés na água congelada.

Basicamente, estava em guerra com ela mesma há meses, miseravelmente perturbada pela lembrança que se perdeu nada a fazia parar, porque estava apaixonada e seu amor era apenas a única coisa que fazia fugir dali, ficar chapada novamente, esquecer, apertar o botão vermelho e por um fim na sua existência manchada. Ele sorria para ela, mas com tristeza nos olhos. Este era o aviso do subconsciente, aquele não era seu amigo, não era ele. Seu amigo já havia ido há muito tempo. Este era a figura de sua consciência devastada, estava acabado, um caminho sem volta, não poderia viver com aquela culpa.

 Ela levantou-se e abriu os braços, estufou o peito suficiente para sentir o cheiro do mar e o som das ondas à distância. O mar cinzento e frio de novembro, por um longo tempo ela não conseguia dormir, era uma estrela fria e silenciosa em agonia na areia. Era como um fantasma, uma imagem manchada do passado. Virou-se para ele e mergulhou os olhos nos dele. Ele manteve seu olhar gelado.

— Éramos como crianças e eu acreditava ser a Rainha do mundo. Se lembra  de você?  A zombaria, essas noites sem dormir para fumar sob as estrelas, garrafas de absinto puro, a velocidade e adrenalina correndo nas veias, as noites dançando e dançando – Disse ela, em tom de resistência.

— Lembro-me de cada momento, cada segundo. Nossa dupla perfeita, e como você se recusou a participar do meu grupo de estudos e me arrastou para aquela festa na republica dos calouros. Você as obrigou lamber seus sapatos. Hmm… “calouros”! Será que eles sabem que somos tão inseguros quanto eles? Quero dizer, olha você agora. – desdenhou.

 — Por mais escura e fria que seja as águas do lago eu não estava com medo de  afogá-lo lá, se fosse por mim. Você dançou comigo em meio ao perigo, e  você mergulhou bem fundo. Já eu prefiro a queda, quando as águas são escuras e frias, mas, você submergiu e eu sinto muito por isso.  Sinto muito ter te encorajado.

 E ele segurou a mão dela, era uma mão branca, quase transparente. Mas, não para tentar salva-la, não. Ele queria era atraí-la para o abismo, trazê-la para junto dele. Porque não queria ficar vagando sozinho.

 Ainda que ela estivesse morrendo de medo, a água percorria cada vez mais alta em seu corpo adentrando o mar desconhecido e infinito. Os sonhos dela foram grandes demais para estreito destino que lhe foi oferecido numa bandeja de prata  e ela sabia, havia sido marcada por sua imprudência. Cedeu às alucinações, descansou em um caminho sem volta, não disse nada, apenas apertou a mão dele com força quando as ondas ficaram mais fortes na altura de seu pescoço.

— Tem que ser assim. – Ele disse.

Ela sorriu suavemente. Foi suspensa na ponta dos pés já flutuante  na água – Ele pelas chamas, Ela pela água – Encontrar-se livres de seus erros, pairando a eternidade com a alma purificada pelos elementos mais refinados que existem na natureza parecia algo que fizesse sentido em sua cabeça naquele momento.

Ele deu um beijo demorado em seus lábios vermelho carmim, uma despedida em espírito da visão que sua consciência criou para se redimir. Em seguida, entregaram-se as lágrimas do céu. Estava chovendo novamente. Ela não pode conter seu sorriso ainda que triste.

— É o que você vai se lembrar…as nossas noites de novembro.- Disse ele.

 — Serão sempre nossas, as noites de novembro.  Me perdoe… – Ela disse.

E o mar chorando, na manhã seguinte, devolveu a esta terra o que não lhe pertencia, o corpo dela já sem vida. E tudo estava acabado. Sem dor, sem culpa.

assinatura-pamela-portugues

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In a dirty and dreary house by the sea, she left water falling for a long time, rolling down in her face, soaking her hair, sliding each pore slowly into her skin. She stood there for two hours or more, as if this could erase everything. She kept the old ghosts, nightmares and hallucinations dancing in the dark. The sound of the water falling, suppressed the screams and drowned their tears and it wrapped her in a warm cocoon of hot fog. It wasn’t something like submerging herself and intoxicating her frustrations, but to her it was almost like drowning, one way or another.

She never knew very well how much she drowned, let herself sink, swent to her as a life sentence, condemned in her most intimate thoughts, balancing on a single thread. Like a dance on the tightrope above the water, smiling, knowing she would end up dying in her abyss of her eyes.

When all the hot water eventually dried, she came out of the shower, slowly with her eyes closed, silently, without hearing any sound in the house. The air was saturated, heavy and wet, but she didn’t care, she was cold and the ghosts were still hammering at the door, swaying the walls and shaking the floor. Outside, the sky was very dark and sinuous, it didn’t even see the stars. Visibly and violently shaken, she braided his long hair, still with her eyes closed, everything was blurred, gray and gloomy. Only the water that dripped from her still naked body was clear, pure and transparent.

She had no idea how much time she had spent in the shower, she fought as hard as she could against the unhealthy urgeo to get away from everything and everyone after what had happened. She was a person of the day that had become one of the night and at night she took the storm for herself, she loved the rain, for the sound of each storm soothed the flood of her soul, like the sensation of a child jumping with both feet in the puddles of water, while a mother disapprove and at the same time the child keeps smiling jumping everywhere by wetting his new shoes. She loved the rain, because it erased everything, even the sins in her hands. And she danced among the puddles, feeling the blood flowing in her veins, as it was diluted by the tears of heaven. This same sky rumbled in lightning, covering the screams and the sound of consciousness falling to the ground. The sky drowned her tears until she fell asleep at dawn, her hair soaked and her lips blue, her skin grayish, painfully hypothermic, with dead memories in her heart.

But that night the sky didn’t care and didn’t carry her healing, she calmed down with the warm bath in the old house, the ceiling seemed to be collapsing over her head, fear of madness was the prevailing feeling, all that repentance. She rushed to the couch and crushed herself nested under dusty cushions. Through the little-and-dirty-stained-glass of the living room, in a miserable shack, the sky was visible and the moon hid behind the clouds that remained in the evening. She was being consumed piece by piece, with all her secrets buried in the skin, trying to calm the euphoria, she closed her eyes, she was hyper-ventilating, perspiring even after hours underwater. By concentrating well, she could hear the distant murmur of the sea. When an indistinct call, a hollow voice made her heart beat a little stronger that made her a little less dead.

– You do not talk? – He smiled at her sarcastically. – Being satisfied  with so little. –  He looked around, pretending to be surprised. – This place doesn’t look anything like you.

Slipping around the couch where she was resting, he kicked the medicine bag on the floor.

– What can I say? I think I’ve seen you for a long time in so many places, more than anybody could bear.  – She stared at him as he laughed. – And you … you still laugh. Damn it, I must be very high

He shrugged and looked up at the sky through the stained glass and turned to her again.

– I dreamed with your hands, mouth and your eyes, your eyes are huge black rocks dipped in bitter gulf. A bottomless pit I did not dare try to correct for fear of losing you. You were beautiful, beautiful as the sea beneath the pale November sun, and dangerous as your rage, your storms that made sailors and ships lose, which end with their bodies battered against the cliffs. You knew you was beautiful. – He said, crossing his hands behind his back.

– I don’t remember you being such a passionate poet.Where are you going? Just leave me alone! – she said, resting her arm over her eyes and still lying on the old couch.

He left his position, making a gesture of speech by raising his forefinger, making it float through the words that came out of his mouth.

– What I mean is you’re terribly pretty. People must have told you this as many times as they could not tell. It was your incessant eyes and sometimes men took advantage of you with their sexually immoral desires. Because you are beautiful, and unfortunately belonged to everyone. Everyone could take ownership of your gaze. And all I wanted was to ironically take hold of that look too, loving you … I loved madly, terribly, subjecting myself to living a life that I didn’t have just to please you.

– That’s enough! – She shouted

She walked through the filthy room with the door ajar, and hurried out of the house, running toward the sea. She spent hours on the beach, running in the sand, under dark clouds, her feet were wrapped in dead leaves that rolled back from the waves and in the sky, the flight of the birds in the night wind. The night was passing in the sadness of her paranoia.

– There was a fire, a simple fire. He died in the fire, it wasn’t your fault, there was a fire. It was a fire, a simple fire. He died in the fire … – she repeated to herself.

And she looked into the void, silent. The silence, the terrible silence that still echoed death.

– Come on! Run some more, maybe you leave behind the truth you don’t want to see. The drugs we use, it smashes the doors, closes the windows and all we can hear are children screaming, murdered children. It makes us act like monsters, it made you mired in blood, doubts and nightmares. – He said, dirty, skin burned all over the body.

 – And you, why are you still here? Stop chasing me! Enter in the open portal, up the stairs of light or whatever you have to do, FOLLOW THE FUCKING LIGHT !!!! That was an acciden. – she cried anguished. She knelt on the sand in front of the boy.

– Maybe it was not. -He said.

Holding her face with icy hands, as if he wanted to carry her away, he made her relive that night into her already disturbed mind, the first night they would finally be together. She didn’t explain, she didn’t know to explain, he liked to follow in her footsteps, wherever she went. After all, there was a life together, but the girl had bad habits and loved to worsen her behavior by drugging herself too much by drinking too much alcohol and barbiturates. He was amazed that at that point in their friendship, she had not abandoned him, a old fashioned person like him, afraid of everything and everyone, he was responsible extremist, but willing to jump off a cliff to be noticed by her.

They danced to the electronic sound of nightclubs, she had a lot of money and had the world at her feet, both medical students, she liked to have him at her disposal as well, because her biggest fun was to see him break paradigms , just because she said it was what she wanted him to do. That night, they had danced and drunk a lot, they had done follies almost in the same proportion. Then he said goodbye to the moon, he resolved to try something even more dangerous with her. For love, sex or pure sudden irresponsibility he forgot his principles and after realizing the dream of being with her melee, he took his last and desperate breath after a cardiorespiratory arrest by high dose of benzodiazepine tablets combined with alcohol, becoming a prisoner of his own destiny.

She knew that one day she would still curse herself with all that freedom. The puddle of vomit beside the bed, strewn with blood was further evidence that something was totally out of the reallity. She woke up with the burning of the cigarette that had been consumed in her hand after falling asleep. With the fire starting right next to her, she tried to wake her friend, but he no longer breathed. The fire spread fast and when everything was on fire, there was nothing left to do, she saw him burn. She left the place knowing she would never get over that night.

– It was a fire, it was a fire, simple and stupid … fire. You died in a DAMN FIRE! – She yelled, holding his hands trying to free them from her face in tears.

– Salt water will soften your guilt, your black stain on the soul, and that scar on your hand. – Then he pointed to the violent sea of dawn.

– This scar, which refused to disappear. You left me alone, I went to bed high with my best friend and when I woke up you had died. It makes me want to cry for the rest of my life, I don’t know how to do anything else, besides living that miserable life that I inherited after you. Every time I put my eyes on this mark in my hand, it’s like punching me in the stomach. This scar is the very image of the bullshit I did, I fell asleep and you died alone. – She said falling in tears of despair, sitting in the sand, with her feet in the frozen water.

Basically, she had been at war with herself for months, miserably disturbed by the memory that had been lost, nothing made her stop, because she was in love and her love was the only thing that made her run away, get high again, forget, press the red button and put an end in her stained existence. He smiled at her, but with sadness in his eyes. This was the subconscious’ warning, that wasn’t her friend, it was not him. Her friend was long gone. This was the figure of her devastated conscience, it was finished, a path with no return, she could not live with that guilt.

She rose and opened her arms, breathe in enough to feel the smell of the sea and the sound of the waves in the distance. The gray, cold sea of November, for a long time she could not sleep, was a cold, silent star in agony in the sand. It was like a ghost, a stained image of the past. She turned to him and looked down at him. He kept his gaze cool.

– We were like children and I believed to be the Queen of the world. Remember you? The mockery, those sleepless nights to smoke under the stars, bottles of pure absinthe, speed and adrenaline rushing through the veins, the nights dancing and dancing – she said, in a tone of resistance.

– I remember every moment, every second. Our perfect pair, and how you refused to join my study group and dragged me to that party in the freshman republic. You forced them to lick your shoes. Hmm … “freshmen”! Do they know we’re as insecure as they are? I mean, look at you now. – sneered.

 – As dark and cold as the waters of the lake was, I was not afraid to drown you there, if it were for me. You danced with me in the midst of danger, and you plunged deep. Already I prefer the fall, when the waters are dark and cold, but you submerged and I am sorry for that. I’m sorry to have encouraged you.

And he took her hand, it was a white hand, almost transparent. But not to try to save her, no. He wanted to lure her into the abyss, bring her to him. Because he did not want to be wandering alone.

.Though she was scared to death, the water flowed higher and higher in her body into the unknown and infinite sea. Her dreams were too great for the narrow fate offered to her on a silver platter, and she knew she had been marked by her imprudence. She gave in to the hallucinations, rested on a path with no back, said nothing, just squeezed his hand tightly as the waves grew stronger at the height of her neck.

– That’s how it’s supposed to be. – He said.

She smiled softly. It was suspended on tiptoe already floating in the water – He by the flames, She by the water – To be free from her mistakes, hovering eternity with the soul purified by the most refined elements that exist in the nature seemed something that made sense in her head that moment.

He gave a lingering kiss on his crimson red lips, a spirit vision farewell that her conscience had created to redeem herself. Then tears came down from the sky. It was raining again. She can not contain her smile, even though she is sad.

– That’s what you’ll remember … our November nights. –  he said.

– It will always be ours, the nights of November. Forgive me … – She said.

And the sea weeping, in the next morning, returned to this land that which did not belong to it, her body already dead. And it was all over. No pain, no guilt.

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02/12/2016 às 14:44

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