Razões para Ficar / Reasons to Stay


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Então Fernando visivelmente emocionado, deixa a carta de despedida em cima do túmulo de seu grande amigo e amor de sua vida, na esperança de que algum dia essas palavras não ditas cheguem até o seu amado. Naquele exato momento, ele estava totalmente destruído por dentro, não conseguia imaginar o que seria de sua vida, não conseguia imaginar que desperdiçou todo o tempo que ainda tinham juntos, separados pelo medo de se machucar, porém não ter lutado por esse amor trouxe a ferida mais profunda, aquela que nunca vai cicatrizar porque eles não se falavam mais e agora nunca mais se falariam novamente. Ele não conseguia se perdoar por ter perdido o amor da vida dele, de não poder ter dito que o amava uma última vez, só que restava era a lembrança da ausência, a lembrança da distância, a lembrança de uma última conversa nada amorosa. Seu coração doía como se tivesse sendo esfaqueado, tinha milhões de motivos para desistir tudo, milhões de motivos de parar de continuar, não suportava saber que seu amor fora, embora. Ele se ajoelhou diante do túmulo e desabou em lágrimas, pedido alguma luz divina naquele momento para acalentar seu coração! Tudo passava na cabeça dele ao mesmo tempo, a dor de saber que ele nunca mais veria aquele rosto alegre, com aquela barba por fazer que ele adorava. Nunca mais ouviria a voz de Breno outra vez. Ele só queria mais uma chance para que ele pudesse fazer Breno ficar ao lado dele, mas tudo estava acabado, estava perdido. Ele se curvou e orou para que realmente houvesse uma vida eterna e que Breno estive bem, ouvindo suas preces, vendo suas lágrimas, vendo seu coração sangrar a cada batida como se fosse infartar de tanta solidão e tristeza que sentia naquele momento. O mundo sem Breno não tinha mais o brilho de antes, o mundo perdera o brilho que somente ele tinha, então orou e chorou novamente, nunca mais seriam dois em um, nunca mais teria o calor daquele corpo, nunca mais haveria um daqueles beijos molhados e excitantes. Fernando não tinha forças para ficar ali, não tinha forças para sair dali, ele não sabia como a vida seria dali em diante, seu coração estava despedaçado completamente, estava totalmente em cacos. Após algum tempo, se recordou do som do violino e como ele ficava sexy quando tocava, se lembrou dos ensaios que Breno fazia exclusivamente para ele, lembrou-se de como ele era romântico e como cada ensaio terminava numa orquestra regida pelo amor deles. Fernando, podia lembrar quase vividamente do som do violino, tocando. Ele se levantou, ainda sem forças para deixar o corpo enterrado de seu Breno sozinho. Naquele momento, Fernando tinha milhões de motivos para desistir, mas sabia que onde quer que seu amor estivesse, ele iria querer que Fernando seguisse firme e vivesse o máximo que pudesse, mas a realidade sem Breno parecia ser difícil de encarar, porque aquele jovem rapaz era seu motivo de continuar em pé, de continuar aqui.Mas ele tentaria aguentar firme em memória de seu grande amor, “porque algumas pessoas partem cedo?” Se perguntava a si mesmo, sentia a pior dor de toda a sua vida. Breno sempre fora altruísta e amava a vida. E mesmo que a ausência dele fizesse Fernando infeliz, ele faria tudo para valer cada minuto de sua vida, não tinha o direito de desistir, ainda mais quando o amor de sua vida não teve escolha para resolver ficar. Uma lágrima de Fernando caiu sobre a carta de despedida, que repousava sobre a terra remexida do túmulo, a lágrima borrou um pouco da tinta da caneta, Fernando precisava ir embora, precisava dizer adeus ao seu amado, que já não estava mais ali, apenas seu corpo sem vida. Então se levantou, sentiu uma presença e ouviu aquela tom de voz que nunca mais ouviria:

– Estarei com você para sempre!

O coração de Fernando disparou e ele rapidamente se virou, não tinha ninguém além dele naquele cemitério, achou que fosse coisa da sua mente, queria tanto ver Breno uma última vez que deve ter imaginado ouvir a voz dele. Ao olhar para chão, viu a corrente com um pingente de Fênix de prata, inconfundível, que havia dado a Breno de presente, em seu aniversário de 23 anos. Sua mente vagou para aquela lembrança, com a corrente na palma da mão, se lembrou nitidamente do dia em que fizeram amor pela primeira vez, sim, a primeira vez dos dois foi durante o aniversário de Breno, data que se tornaria inesquecível. Os dois eram amigos a muito tempo, porém Fernando percebeu que amava o amigo e por sorte, Breno o amava de volta, depois daquele dia viveriam 4 anos inesquecíveis, até que por pura bobeira tudo acabaria e Fernando nunca mais veria Breno em vida.  Fernando beijou o pingente de Fênix, fechou os olhos e colocou sua mão perto de seu dolorido coração. As lágrimas eram inevitáveis, cada lembrança cortava seu coração como lâmina. A dor da saudade aumentava exponencialmente a cada segundo que se passava e a realidade sobre a morte de seu amor se tornava cada vez mais concreta, não haveria mais volta. Seus olhares nunca mais se cruzariam. Fernando chorava copiosamente e ao chegar na portaria do cemitério percebeu que ainda havia familiares de Breno lá fora, então tentou se recompor enxugando as lágrimas, travando uma batalha interna para que as lágrimas parassem de escorrer por alguns minutos de seus olhos.

Fernando respirou fundo e olhou em direção aos familiares, então a irmã mais nova, com os olhos marejados olhou em sua direção e, sem pensar, saiu correndo em direção ao seu querido ex-cunhado e lhe deu um forte abraço. Inevitavelmente, aquele abraço fez os dois desmoronarem novamente, então se permitiram viver esse momento de fragilidade. Ficaram um certo tempo abraçados sem dizerem nada, apenas se ouvia os soluços do choro incessante que tentavam sem sucesso reprimir. Então a irmã mais nova de Breno avistou a corrente de prata nas mãos de Fernando e disse:

– Você a encontrou? Eu achei que nunca mais a veria. Estava procurando, mas não sabia onde tinha deixado cair. Estava tentando me lembrar a última vez que lembrava dela em minhas mãos.

– Está aqui, ainda bem que a encontrei, tome para você se lembrar de seu irmão! – Disse Fernando esticando sua mão para entregar a corrente para a garota.

– Não! – A garota fez questão de negar com um movimento brusco com a cabeça. – Você deu de presente a ele, fique com você! Ele amava essa corrente, ele amava a fênix e o que ela representava para ele.

– Sim! Ele adorava o conceito de poder se renovar, renascer das cinzas! Ele amava tanto que chegou a tatuar uma fênix. – Dizia Fernando com um sorriso saudoso no rosto, lembrando do dia em que acompanhara Breno para fazer a tatuagem… até que foi interrompido pela surpresa da garota.

– Nossa! Eu não sabia, meu irmão nunca me contou!

Fernando ficou vermelho e pensou rapidamente em algo para responder, não teria coragem de falar onde era a tatuagem, esquecera desse detalhe, ele amava aquela tatuagem que só ele via, amava poder ter… mas voltou a si e disse:

– Ele fez uma pequena tatuagem no tornozelo, você não deve ter reparado! –  E tratou de desconversar o assunto. – Pegue a corrente!

– Não, Fer! Pode ficar com você, foi seu presente e ele amava, sério, fique com você! Sabe ele olhou para essa corrente durante o dia todo nesses últimos dias, acho que ele estava pensando em você, talvez querendo dar o primeiro passo e fazer as pazes com você. Ele te amava muito, pena que ele não conseguiu ter tempo de resolver isso entre vocês, vocês foram feitos um para outro. – A garota finalizou a fala dela com os olhos marejados e tristes por saber que Fernando devia estar sofrendo muito, ela fecha mão dele, dando a entender que não pegaria a corrente para ela e deu um beijo no rosto dele.

O coração de Fernando estava sem forças, aquelas palavras doeram mais do que ele podia imaginar, os dois se amavam, os dois não deram o braço a torcer, os dois perderam a chance de ter vividos momentos incríveis, que nunca mais se repetiriam. Ele sabia que a melhor razão da vida dele era Breno, não se perdoaria por ter escolhidos os milhões de motivos que o fizeram partir. Então Fernando foi para sua cada e viu que os dias que se passariam, seriam piores ainda, ele tinha milhões de motivos para desistir de tudo.

Breno de uma outra grande paixão em sua vida e essa outra paixão se chamava, Thor, um cachorro vira-lata que tinha desde que era adolescente. Thor fora seu grande companheiro a vida toda e até no momento que estava sofrendo por ter deixado Fernando, parecia que Thor sabia que o dono não estava bem e o deixava entretido, ajudava ele a não ficar muito triste. Quando Breno adoeceu, antes de ficar internado, Thor ficou ao lado do dono cada minuto. Quando o rapaz foi internado, Thor queria lamber seu dono, queria protegê-lo, então começou a latir para aquelas pessoas de branco dentro do quarto de seu dono, ele estava desesperado, estavam fazendo alguma coisa com seu dono. Mas a mãe de Breno, o trancou no banheiro, Thor ficou desesperado, sabia que seu dono não estava bem, queria ficar ao lado dele. Porém quando a porta se abriu, o quarto estava vazio, Thor procurou pelo dono desesperadamente por toda casa, cheirando cada canto, mas sem sucesso. Seu dono tinha saído, então Thor resolveu esperar na porta de entrada a volta de seu querido dono. Não via a hora de poder pular, lamber e brincar com seu adorável dono.Cada vez que a porta se abriu, seu corpinho se enchia de esperança e alegria, mas nunca era Breno. Ele foi percebendo que os dias foram passando e seu dono não passava por aquela porta, até sentia o cheiro dele nas roupas dos outros moradores da casa, mas o cheiro ia cada vez mais se dissipando, seu coraçãozinho foi se entristecendo. “Porque meu dono não volta? Ele não me quer mais?” seria provavelmente o pensamento daquele cachorrinho. Então um dia teve uma sensação ruim, uma tristeza dentro de seu pequeno corpinho, já fazia dias que ele não saia da porta de entrada esperando por Breno, mas pela primeira vez, sentiu que nunca mais o veria, então uivou a noite toda, era quase como um choro de saudade, uma tristeza que não sabia como expressar, além de uivos. Thor começou a parar de comer, ainda continuava na porta, mas já sabia que Breno não passaria por aquela porta, seu cheiro quase já não existia, não sentia mais alegria.

Fernando estava péssimo, não saía mais de casa para nada, alem de ir trabalhar. Não tinha mais motivação. Ele estava tentando o máximo que podia para superar a morte de Breno, mas sentia como uma parte dele tivesse morrido junto com seu amado e não tinha mais vontade de nada. Passava o dia vagando pela internet, vendo notícias e verificando a felicidade das pessoas que ainda tinham motivos para serem felizes. E em dia como os outros, viu uma publicação da irmã de Breno, dizendo que sua mãe estava doando o cachorro de seu irmão. Fernando sentiu pena do cachorro, sabia que Breno amava muito aquele animalzinho e vice-versa, sabia que o cachorro devia estar sofrendo e dá-lo para completos estranhos só faria ele morrer de tanta tristeza. Ele sentiu que tinha a obrigação de cuidar do animalzinho pelo seu amor que já não estava em terra para protegê-lo. Então resolveu adotá-lo.

Thor ainda estava muito deprimido quando chegou na casa de Fernando, por outro lado o novo dono do cachorro sentiu que ver o cachorro ali fazia a saudade que sentia aumentar ainda mais. Pois o fazia lembrar o quanto ele amava o animalzinho e quanto Breno era um ótimo veterinário, amava cuidar dos animais. Thor estava triste, mas sentia que a pessoa perto dele também estava triste, se aconchegou perto de Fernando e ficou, este outro por sua vez começou a fazer carinho no animal e os dois adormeceram ali no chão da sala. Thor sentiu amor novamente, Fernando sentia a presença de Breno por estar cuidado do cachorrinho tão amado por ele. Sem perceber Breno foi a própria resolução para os dois seguirem em frente, Fernando precisava de Thor, Thor precisava dos cuidados de Fernando, os dois unidos por Breno, então por uma maneira estranha o amor de Breno ainda vivia, estava ali entre os dois. Fernando achou uma roupa usada de Breno e deu para que o cachorro pudesse sentir o cheirinho delicioso de seu dono e Thor começou a fazer Fernando a sair de casa novamente, nas caminhadas de fim de tarde. A ausência de Breno ainda doía nos dois, mas um começou a dar suporte para o outro, então começavam aos poucos seguir em frente… Breno ficaria muito orgulhoso disso, de que os dois iam ficar bem e aproveitar a vida deles. Fernando aprendeu duramente a não desperdiçar o tempo longe daqueles que ama, pois a vida é uma contagem regressiva constante, na qual pode acabar a qualquer momento, então fique perto de quem te faz bem! Após algum tempo, mesmo tendo todos motivos para desistir, Thor e Fernando sabiam que amor de Breno vivia e o fruto disso era a vida dos dois juntos, cachorro e homem, amigo leal e companheiro e o dono protetor. Na verdade Fernando descobriu que mesmo que a saudade seja enorme, o amor que viveu com Breno é o que fazia continuar, era a melhor razão para ficar, amaria Breno para todo sempre!

Como era rotina, Fernando e Thor saíram para mais uma caminhada no fim da tarde e em algum lugar Breno os observava!

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