O Espaço Entre as Estrelas / The Space Between Stars


ENGLISH VERSION AVAILABLE HERE (OR BELOW)texto

Éramos como dois curiosos deitados na calçada, às três da manhã, envoltos em um cobertor vermelho.

Era  meados de dezembro, voltados em direção ao céu, jeito bom de se viver… às vezes eu inclinava meu ombro contra o seu e fazia tanto frio que podia sentir você se contorcer.

— Você está gelada!!! – Mesmo assim, permanecíamos ali…

Meu toque era gelado, mas tínhamos o vinho em copos de plástico e um oceano em meu estomago.

Passávamos horas vendo estrelas, vendo mais estrelas do que a nós mesmos e sem contar nosso estranho fascínio pelo brilho amarelado das lâmpadas dos postes da rua, uns mais apagados, outros mais fortes com aquelas mariposas no ar.

E mesmo que ir para casa, parecesse mais convidativo, adorávamos estar ali deitados “fazendo nada de dois”.

Hoje sinto algo na pele, um arrepio que mais parece um relampejar na epiderme e um flash em minha mente.

Sei que o líquido no meu corpo é vermelho,  mas por um momento, pensar em você parece fazer correr gravidade zero nas veias, parece que meu corpo está suspenso nas ondas do oceano, isso é o que a ideia de estar com você de novo me causa.

Eu me viro na direção que você olhava e não há nada, não vejo nada agora…

Você sabia que a distância média entre as estrelas é de quatro anos-luz? É…você sabe melhor do que eu.

Pensei que doeria mais, você se foi, as pontas do meu dedo se encaixam perfeitamente  entre uma estrela e outra. Posso segura um  punhado delas entre o polegar e o indicador.

Eu acho que você já estava longe antes mesmo de ir – ou eu estava – ou nunca estivemos realmente na mesma orbita.

É engraçado – aqui embaixo – existe um abismo há mais de seis trilhões de quilômetros – tudo parece tão próximo, mas está à um dedo de espaço vazio – insuperável..insuportável.

Eu não o amo com toda a luz das estrelas, mas sim,  com toda a escuridão entre elas.

Não vou apagar seu brilho e cair sobre você como poeira invisível. Estenderei o infinito, preencherei o espaço entre o seu brilho e vou me esticar através da vacuidade silenciosamente como o ar.

A luz se desvanece à escuridão. A escuridão persiste e prende a luz aqui dentro, declarando que existe. Mas, eu nunca te falei sobre isso, fui covarde e meu tempo se esgotou.

É meados de dezembro e hoje, faz dois anos que você emprestou seu brilho às estrelas.

Minha coragem apareceu só quando a oportunidade havia se esvairado, estou abraçando o velho cobertor vermelho e enlouquecendo.

pamelabottompost

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We were like two curious lying on the sidewalk, at three in the morning, wrapped in a red blanket.

It was mid-December, looking to skyward, good way to live … sometimes I leaned my shoulder against yours and it was so cold I could feel you squirm.

– You’re cold !!! – He said, but still, we stood there …

My touch was cold, but we had wine in plastic cups and an ocean in my stomach.

We would spend hours seeing stars, seeing more stars than ourselves and not to mention our strange fascination with the yellow glow of the lamps of the street poles, some lights more off, others stronger with those moth in the air.

And even go home, sounded more inviting, but we loved being there lying and “doing nothing together.”

Today I feel something on my skin, a shiver that seems more like a lightning in the epidermis and like a flash in my mind.

I know that the liquid that running in my vein is red, but for a moment, think of you makes me feel like zero gravity is running on my veins, it seems that my body is suspended in the ocean waves, this is what the idea of being with you again causes in me.

I look at the direction you looked and there’s nothing, I see nothing now …

Did you know that the average distance between stars is about four light-years? It is … you know better than me.

I thought it would hurt more, you’re gone, the tips of my fingers fit perfectly between a star and another. I can hold a handful of them between thumb and forefinger.

I think you were gone before you really go – or I went going away – or we weren’t in the same orbit, maybe we’ve never been.

It’s funny – down here – there is a six trillion miles abyss – everything seems so close, but there is a lot of empty space in a distance of a finger tip – insuperable… unbearable.

I don’t love you with all the starlight, but with all the darkness between them.

I won’t efface your luster and fall on you as invisible dust. I’ll stretch to infinity, I will fill the gap between your shine and I will stretch through the vacuum silently as the air.

The light fades to darkness. The darkness persists and holds the light in here, stating its existance. But I never told you about it, I was a coward and my time has run out.

It is mid-December and today, two years after, you lent your brightness to the stars.

My courage appeared only when the opportunity had slipped through my fingers, I’m embracing the old red blanket and going crazy.

pamelabottompost2

13/12/2016 às 08:00

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9 comentários em “O Espaço Entre as Estrelas / The Space Between Stars

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